O Ministério Público do Maranhão solicitou ao Tribunal de Justiça o afastamento cautelar do vice-governador Felipe Camarão. A medida integra investigação sigilosa que apura possíveis crimes de lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e infrações contra a administração pública.
O pedido foi encaminhado pelo procurador-geral de Justiça, Danilo José de Castro Ferreira, com base em elementos considerados consistentes pela apuração.
De acordo com o documento, foram identificadas movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada do agente público. Entre os principais pontos, estão mais de R$ 4,6 milhões em créditos extrassalariais e aproximadamente R$ 6,3 milhões em saídas financeiras concentradas na conta principal.
A investigação também aponta cerca de 230 depósitos em dinheiro sem identificação de origem, além de R$ 360 mil em operações fracionadas, prática frequentemente associada à tentativa de dificultar o rastreamento de recursos.
Outro dado relevante é a elevada dispersão de transferências via PIX, com mais de 1.085 destinatários, entre pessoas físicas e jurídicas, o que, segundo o Ministério Público, indica um padrão atípico de movimentação financeira.
A apuração sustenta ainda a utilização de terceiros como operadores financeiros, incluindo policiais militares vinculados ao gabinete institucional. Esses agentes teriam atuado na recepção, fragmentação e redistribuição de valores em benefício do vice-governador.

Entre os nomes citados, Thiago Brasil Arruda teria movimentado mais de R$ 9,6 milhões, com repasses que somam R$ 381 mil a Felipe Camarão, além do pagamento de despesas pessoais. Já Alexandre Guimarães Nascimento teria movimentado mais de R$ 10 milhões, com registros de depósitos em espécie, transferências ao investigado e gastos superiores a R$ 350 mil em plataformas digitais.
O documento também menciona o custeio de despesas pessoais por terceiros, incluindo hospedagens, tributos e outras obrigações, além de transações envolvendo pessoas próximas ao núcleo familiar.
Há ainda indícios de aquisição de imóveis que totalizam cerca de R$ 4,7 milhões, considerados incompatíveis com os rendimentos formais e sem correspondência nas declarações fiscais.
Diante desse conjunto de elementos, o Ministério Público avalia que a permanência de Felipe Camarão no cargo representa risco à investigação, podendo comprometer a produção de provas, influenciar testemunhas e dificultar o acesso a informações.
Por esse motivo, foi requerido o afastamento imediato do cargo, sem a oitiva prévia dos investigados, como forma de preservar a efetividade das diligências em curso.
O pedido está sob análise do Tribunal de Justiça do Maranhão, que ainda não se manifestou sobre a adoção da medida cautelar.
Em nota nas redes sociais, Felipe Camarão afirmou que o vazamento do pedido de afastamento é “criminoso” e disse nunca ter tido acesso ao processo sigiloso. Ele classificou o caso como ação com finalidade eleitoreira, questionou a atuação do Ministério Público e informou que adotou medidas judiciais e levará o caso ao Conselho Nacional do Ministério Público. O vice-governador negou irregularidades e disse que não aceitará perseguição política.
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