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Novo genótipo de dengue é identificado no Brasil

Um novo genótipo da dengue foi detectado pela primeira vez no Brasil. Trata-se da linhagem cosmopolita, a mais disseminada no mundo, rastreada pela segunda vez no continente americano.

No Brasil, a identificação foi feita em fevereiro em uma amostra referente a um caso de novembro de 2021, na cidade de Aparecida de Goiânia (GO), pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) em parceria com o Laboratório Central de Saúde Pública de Goiás (Lacen-GO).

O virologista e coordenador da pesquisa, Luiz Alcantara, explicou que a entrada de uma nova linhagem no país preocupa, pois aumenta a diversidade do vírus. Ele acredita que esse fator também aumenta as chances de casos mais graves, uma vez que a dengue severa costuma acontecer em indivíduos que já tiveram uma infecção prévia por outro sorotipo da dengue.

O pesquisador da Fiocruz afirmou, por outro lado, que ainda não se sabe se a transmissão do genótipo cosmopolita é mais eficiente ou mais rápida do que a das demais linhagens encontradas no Brasil. Não há estudos que comparem a disseminação entre os sorotipos.

– Não é motivo para desespero ainda, porque há apenas um caso detectado – disse.

Ele informou ainda que em junho a Fiocruz fará o mapeamento genético de todas as amostra de dengue tipo 1 e 2 de Goiás desde 2019 para constatar se há mais casos de infecção pela linhagem.

Alcantara reforçou que a transmissão da dengue, diferentemente do que acontece com a da Covid-19, depende de um vetor (o mosquito Aedes Aegypti). Por isso, ainda não é possível quantificar o impacto que a linhagem cosmopolita terá no Brasil.

No Peru, após um ano da detecção do primeiro caso, houve um aumento de casos graves, mas não de mortos, segundo explicou o virologista.

ORIGEM
Já foi constatado que a origem do genótipo cosmopolita é de Bangladesh, na Ásia. O continente asiático tem maior disseminação da linhagem, mas o cientista disse que ainda não é possível saber como se deu a chegada no Brasil.

– Não dá para saber se veio do Peru para cá, precisamos de mais amostras para identificar a origem do vírus e quando ele entrou no país – falou.

Luiz contou ainda que o indivíduo em que a linhagem foi detectada não relatou eventos de viagem no ano em que foi infectado, mas que ele trabalha no setor de zoonoses.

– Ele faz trabalho em campo, então tem contato com vetores, o que faz com que seja alta a possibilidade de ele ter sido picado pelo mosquito com o vírus – disse.

Informações repassadas pelo município de Aparecida de Goiânia à Secretaria Estadual de Saúde de Goiás dão conta de que o paciente não teve maiores intercorrências de saúde, inclusive, recebendo cuidados em casa.

A relação entre o surto de dengue em Goiás. O estado é o segundo maior em casos da doença no país e o novo genótipo encontrado é descartada com base no sequenciamento genético de amostras realizado na região. Os casos daquela áreas são da linhagem 3, e a linhagem cosmopolita pertence ao sorotipo 2, de acordo com o coordenador da pesquisa.

A dengue tem quatro sorotipos, cada um com diferentes linhagens.

O virologista explicou que a dengue é uma virose endêmica no Brasil, cujo principal fator de disseminação é a densidade vetorial: a quantidade de mosquitos Aedes Aegypti.

– A densidade vetorial depende de fatores ambientais e climáticos, que favorecem a proliferação do mosquito – afirmou.

As condições de vida da população também afetam a disseminação da dengue, cuja principal forma de prevenção é a diminuição dos focos de mosquitos, não deixando água parada, e o uso de repelentes em áreas de grande circulação do Aedes.

– Precisamos de uma vigilância epidemiológica muito ativa para tentar encontrar mais casos da nova linhagem – informou Alcantara. *AE

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Categoria: Notícia Geral

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