• Notícia Geral
  • Login
  • globo.com
  • vídeo
  • gshow
  • globoesporte
  • G1
domingo, 16 agosto 2026
  • Home
  • Notícia Geral
  • Política
  • Policial
  • Esporte
  • Login
  • São Luís/MA – Porto do Itaqui se destaca na capacidade de atendimento de navios com nova operação de transferência de carga
No Result
View All Result
No Result
View All Result
Home Notícia Geral

O SENTIDO DE UM JULGAMENTO JUSTO

Por Moreira Serra, Advogado

Fatos dos Municípios Por Fatos dos Municípios
07/09/2025
in Notícia Geral
0
O SENTIDO DE UM JULGAMENTO JUSTO

A ideia de julgamento criminal justo sempre foi um espelho da sociedade de cada época. Nas colônias e impérios, justiça confundia-se com manutenção da ordem estabelecida, e não com a proteção de direitos individuais. No Brasil do século XVIII, a legalidade era limitada: o soberano determinava as regras e a lei funcionava como instrumento de controle. Foi nesse cenário que ocorreu o julgamento da Inconfidência Mineira, em 1792, quando Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, foi condenado à morte. O processo foi conduzido de forma seletiva: muitos conspiradores tiveram penas atenuadas, mas o bode expiatório foi escolhido de antemão. Ali, tivemos um julgamento montado, sob a roupagem da legalidade, mas com resultado pré-determinado para satisfazer a Coroa portuguesa.

Com o advento da República e o fortalecimento do constitucionalismo, o processo judicial passou a se revestir de maior formalidade. Contudo, o simples cumprimento da lei não assegurava um julgamento justo. A Guerra de Canudos, em 1897, é um marco doloroso desse descompasso. O beato Antônio Conselheiro e seus seguidores foram transformados em inimigos da pátria antes mesmo de qualquer tribunal. Sobreviventes foram submetidos a julgamentos sumários, sem contraditório e sem defesa. A legalidade cedeu lugar à violência institucional, e a justiça foi substituída pela vingança. Aqui, não se tratava apenas de um julgamento injusto, mas de um julgamento ilegal, em que a força substituiu o direito.

O século XX trouxe novos contornos, mas não rompeu completamente com os vícios históricos. Durante a Era Vargas, especialmente no Estado Novo (1937-1945), tribunais de exceção e julgamentos políticos se tornaram comuns. Oposicionistas eram processados com base em leis de segurança nacional, muitas vezes sob provas frágeis ou fabricadas. Os julgamentos funcionavam como espetáculos de propaganda, garantindo a aparência de legalidade, mas anulando a essência de imparcialidade. Mais uma vez, a justiça cedeu à manipulação política.

Esses episódios permitem distinguir com clareza diferentes modelos de julgamento. O julgamento apenas legal pode ser frio e burocrático, distante da justiça substancial. O julgamento justo e legal é o ideal democrático, quando forma e conteúdo se harmonizam em defesa da dignidade humana. O julgamento injusto e ilegal, como os sumários em Canudos, é puro abuso estatal. Já o julgamento montado, como o de Tiradentes e tantos opositores de Vargas, é ainda mais perverso, porque se disfarça sob a aparência de normalidade.

Olhando para essa trajetória, percebemos que a história brasileira é marcada pela tensão entre justiça e poder. Cada exemplo mostra como julgamentos podem ser instrumentalizados para silenciar vozes, reafirmar autoridades ou punir simbolicamente quem ousa desafiar a ordem. Isso nos alerta de que a busca por um julgamento verdadeiramente justo não é apenas questão de lei, mas de compromisso ético e democrático.

É preciso reconhecer também que, em tempos de autoritarismo, o espaço para julgamentos justos se estreita. O processo se transforma em arma, e não em instrumento de equilíbrio. Já em períodos de abertura democrática, tenta-se aproximar o julgamento daquilo que a filosofia chama de “justiça substancial”: a decisão que não apenas cumpre a lei, mas se mostra equitativa, legítima e reconhecida pela sociedade.

Portanto, a lição que a história nos deixa é clara: um julgamento criminal justo não pode ser confundido com mera formalidade ou com encenação jurídica. Ele exige imparcialidade, contraditório efetivo e respeito à dignidade humana. Sem esses elementos, o julgamento se transforma em farsa, seja sob a toga de Tiradentes, o massacre de Canudos ou os tribunais de exceção de Vargas.

Concluir essa reflexão é reafirmar que a justiça só se realiza plenamente quando é, ao mesmo tempo, legal e justa. É nesse ponto de equilíbrio que os tribunais deixam de ser instrumentos de opressão para se tornarem guardiões da liberdade e da confiança social. E é também aí que aprendemos, com os erros do passado, a não permitir que julgamentos montados ou injustos voltem a se repetir.

https://eudesfelix.com.br/wp-content/uploads/2025/07/WhatsApp-Video-2024-01-11-at-21.26.10-1-1.mp4

POSTAGENS RELACIONADAS

BACABEIRA / Orleans Brandão exalta Dr. Hilton Gonçalo para o senado Federal no encontro promovido por Naila Gonçalo com grande participação popular.
Notícia Geral

BACABEIRA / Orleans Brandão exalta Dr. Hilton Gonçalo para o senado Federal no encontro promovido por Naila Gonçalo com grande participação popular.

13/08/2026
Feira do Empreendedor recebe a cerimônia do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios no Maranhão
Notícia Geral

Mais de 900 participantes integram caravanas do Sebrae rumo à Feira do Empreendedor

13/08/2026
Feira do Empreendedor 2026 oferece estrutura exclusiva para imprensa e produção de conteúdo
Notícia Geral

Feira do Empreendedor 2026 oferece estrutura exclusiva para imprensa e produção de conteúdo

04/08/2026
Arena de Inovação: Feira do Empreendedor aproxima pequenos negócios de soluções tecnológicas
Notícia Geral

Arena de Inovação: Feira do Empreendedor aproxima pequenos negócios de soluções tecnológicas

04/08/2026
Turismo terá destaque na Feira do Empreendedor com apresentação de oportunidades nos 10 polos turísticos do Maranhão
Notícia Geral

Turismo terá destaque na Feira do Empreendedor com apresentação de oportunidades nos 10 polos turísticos do Maranhão

04/08/2026
Empresas maranhenses encontram nas franquias um caminho para expandir seus negócios
Notícia Geral

Empresas maranhenses encontram nas franquias um caminho para expandir seus negócios

04/08/2026
Next Post
Bioeconomia no Cerrado maranhense: o “Inova Ilha” em pauta nesta quinta-feira (11), no Mobiliza SLZ 2025

Bioeconomia no Cerrado maranhense: o “Inova Ilha” em pauta nesta quinta-feira (11), no Mobiliza SLZ 2025

Arquivos

  • Notícia Geral
  • Login
  • globo.com
  • vídeo
  • gshow
  • globoesporte
  • G1

© 2025 Eudes Félix - Fatos dos Municípios -Todos os Direitos Reservados | Desenvolvido por: Host Dominus.

No Result
View All Result
  • Home
  • Notícia Geral
  • Política
  • Policial
  • Esporte
  • Login
  • São Luís/MA – Porto do Itaqui se destaca na capacidade de atendimento de navios com nova operação de transferência de carga

© 2025 Eudes Félix - Fatos dos Municípios -Todos os Direitos Reservados | Desenvolvido por: Host Dominus.