Extratos de propina da Odebrecht em reunião com Temer superam US$ 40 mi

Temer Temer confirma a reunião de 2010, mas nega que tenha tratado de valores de repasse
Temer Temer confirma a reunião de 2010, mas nega que tenha tratado de valores de repasse

A Odebrecht entregou à força-tarefa da Lava Jato e ao Ministério Público Federal extratos que seriam de pagamento de propina em uma reunião com o presidente Michel Temer, em 2010. Os valores superam os US$ 40 milhões que, segundo ex-executivos que se tornaram delatores na operação, teriam sido acordados com o hoje presidente em seu escritório de São Paulo.

A investigação contra Temer usa trechos da delação de Márcio Faria da Silva, ex-presidente da Odebrecht Engenharia Industrial. No depoimento ele afirmou que, no comando da reunião, Temer acertou o pagamento de propina de R$ 40 milhões ao PMDB. O valor seria o de 5% de um contrato da Odebrecht com a Petrobras. Após a revelação das informações dessa delação, Temer divulgou uma nota na qual afirmou que “jamais tratou de valores” com Márcio Faria.

Faria, que era presidente da Odebrecht Engenharia, disse que o PMDB negociou a propina de 5% do contrato sobre os US$ 40 milhões e que no encontro com Temer não se falou em valores, “mas ficou claro que se tratava de propina” relacionada ao contrato, e não contribuição de campanha. A reunião, segundo Faria, teve a presença de outras pessoas, como o ex-deputado Eduardo Cunha, e ocorreu quando Temer era presidente do PMDB e candidato a vice de Dilma Rousseff (PT).

Segundo reportagem da Folha de S.Paulo deste sábado (22), a propina é ligada a um contrato internacional da Petrobras, o PAC-SMS, que envolvia certificados de segurança, saúde e meio ambiente em nove países onde a estatal atua. O valor inicial era de US$ 825 milhões. De acordo com documentos referentes ao PAC-SMS, apresentados pela Odebrecht, os repasses foram feitos entre julho de 2010 e dezembro de 2011. Os extratos atingem US$ 54 milhões, mas a soma de planilhas anexadas chega a US$ 65 milhões.

Ainda de acordo com as delações e com os documentos entregues à Lava Jato, uma pequena parte do valor foi paga em espécie em hotéis de São Paulo e em um escritório no Rio de Janeiro. A maior parte, no entanto, foi repassada a contas de operadores no exterior

Responsável pelo lobby da Odebrecht na Petrobras, Rogério Araújo disse que Temer “assentiu” e deu a “bênção” aos termos do acordo, previamente tratados com Cunha e com o lobista João Augusto Henriques. Temer confirma o encontro, mas nega a versão sobre propina.

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