Lula diz que está pronto para ser preso e diz que não vai fugir ou desistir

Em entrevistas para o livro “A Verdade Vencerá – O povo sabe por que me condenaram”, que será lançado na sexta-feira, em São Paulo, Lula fala aos jornalistas Juca Kfouri, Maria Inês Nassif e Gilberto Maringoni, além da editora Ivana Jinking.

“Há duas instâncias superiores que a agente pode recorrer (STF e STJ) e vamos recorrer. Eles vão tomar a decisão, eu estou pronto para ser preso. É uma decisão deles”, diz.

Juca pergunta se ele está cogitando a hipótese de ser preso:

“Estou. O que não estou é preparado para a resistência armada. Como sou um democrata, nem apreender a atirar eu aprendi. Então, isso está fora. O PT não nasceu para ser um partido revolucionário, nasceu para ser um partido democrático e levar a democracia até as últimas consequências”, responde Lula.

“Eu não vou sair do Brasil, não vou me esconder em embaixada, eu não vou fugir. A palavra ‘fugir’ não existe no meu dicionário. Vou estar na minha casa, chegando em casa entre 20h e 21h, indo dormir às 22h, acordando às 5h para fazer ginástica”.

Ivana questiona “como se prepara o espírito para isso”.

“Eu não preparo o espírito. Eu sou um homem de espírito leve. Tudo isso faz parte da história”, afirma. “Estamos num momento histórico importante para mim. Eu sei por que estou sendo julgado. E eles não têm a mesma consciência tranquila que eu tenho.”

“Não vou morrer com a pecha de ladrão”

Lula também falou aos entrevistadores sobre a possibilidade de não ser candidato a presidente nas eleições deste ano e afirmou que não se dará por satisfeito se conseguir não ser preso, mas for impedido de disputar nas urnas.

“Muita gente diz: ‘Ah, Lula, se só tirarem você da disputa e não te prenderem, está bom.’ Está bom nada, porque pra mim é uma questão de orgulho e honra pessoal, de comportamento de vida. Eles mexeram com quem não deveriam mexer. Eu não sou maior do que a lei, mas eles mexeram com quem não deveriam mexer, e eu não vou morrer com a pecha de ladrão.”

Líder nas pesquisas de intenção de voto, o petista está, em tese, inelegível de acordo com os critérios da Lei da Ficha Limpa, mas a legalidade da candidatura depende de um julgamento no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

O livro com a íntegra da entrevista, feita ao longo de três encontros em fevereiro, será lançado em evento com a presença de Lula no Sindicato dos Químicos de São Paulo, às 18h de sexta-feira (16).Ao longo da conversa, Lula fala sobre os processos que enfrenta na Justiça, trata do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), lembra de como queria que Eduardo Campos (PSB) –que morreu em 2014– fosse o candidato apoiado pelo PT em 2018 e aborda outros temas da política brasileira.

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